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Tem muita coisa errada com A Hipótese do Amor: uma resenha crítica sincera

A Hipótese do Amor é uma das mais recentes comédias românticas do catálogo da Prime Video. Eu assisti ao filme e, sério, tem muita coisa errada.

Um gênero prolífico e a expectativa para a adaptação

A comédia romântica é um gênero bem prolífico e com muitos fãs ao redor do mundo. Eu mesmo aprecio algumas — um dos meus filmes favoritos é “10 Coisas que Eu Odeio em Você“.

E uma das novidades do gênero é “A Hipótese do Amor”, adaptação do best-seller homônimo da autora americana Ali Hazelwood. O livro ficou muito famoso, especialmente na comunidade literária do TikTok, carinhosamente apelidada de BookTok.

O sucesso foi tanto que as produtoras rapidamente cresceram os olhos e, então, em 23 de setembro de 2026, o filme dirigido por Claire Scanlon, com Lili Reinhart como Olive e Tom Bateman como o Dr. Adam Carlsen, estreou na Prime Video.

A trama: clichê, mas promissor

A trama é bem simples e clássica, beirando o clichê. No enredo, Olive Smith é uma estudante de doutorado em Biologia na Universidade de Stanford que não acredita em romances. Para convencer sua melhor amiga de que está seguindo em frente e não quer mais saber do ex, ela inventa um namoro falso com o temido e respeitado professor Adam Carlsen.

Mas é claro que, como toda boa comédia romântica, os dois acabam se apaixonando pra valer. Não sem antes viverem altas confusões no caminho.

O problema não é o clichê, é a execução

Porém, eu assisti recentemente a esse sucesso instantâneo do streaming (de tanto a Prime ficar me enchendo o saco para ver esse filme), e posso dizer que tem bastante coisa, no mínimo, estranha com essa obra.

Diálogos feitos para viralizar

Primeiramente, vamos falar dos diálogos. Até agora não consegui entender se, do ponto de vista das comédias românticas, os diálogos são geniais, clichês ou muito ruins. Veja, eles não destoam nem um pouco das demais romcoms. No entanto, alguma coisa me pareceu fora do lugar.

Tudo ali parece ter sido pensado minuciosamente para viralizar nas redes sociais. Quero dizer, as linhas funcionam isoladas e, em alguns momentos, são até boas. Mas, como um todo, parecem apenas um emaranhado de frases soltas costuradas por momentos engraçadinhos.

Um monte de conceitos científicos jogados para fazer gracinha, misturados com clichês românticos que, colocados juntos, muitas vezes nem fazem sentido.

Atuações e química oscilantes

As atuações também não ajudam muito. Isto é, tanto Lili Reinhart quanto Tom Bateman (adoro esse nome) são bons atores e entregam o esperado para o filme. Porém, há momentos em que eles não me convencem. Sem falar na química que oscila muito, ora parecendo super natural, ora forçada demais.

Os atores coadjuvantes também não são muito bons — apesar de que isso pode ser culpa da direção também.

A falta de verossimilhança no ambiente acadêmico

As relações e as motivações dos personagens são meio confusas também. Umas paixonites que surgem do nada. Uns professores que são boçais de graça, apesar de que isso é a parada mais realista do meio acadêmico retratado no filme (isso e o assédio).

Enfim, muita coisa esquisita. Mas o que mais me chamou a atenção não foi a construção mal feita das personagens, nem o roteiro apressado que corre para construir a relação dos protagonistas, nem os diálogos esquisitos.

O que mais me incomodou nesse filme foi a sensação de estar vendo um filme sobre alunos de faculdade (se pá, até de Ensino Médio), só que num programa de doutorado em Stanford.

Como assim doutorandos fazendo festinhas como se estivessem em fraternidades? Uns dramas bobinhos sobre quem pega quem. Quem já fez ou conhece alguém fazendo mestrado sabe que a pessoa mal tem tempo de se alimentar, quem dirá fazer festinha.

Uns professores universitários que se comportam como se estivessem escolhendo rainha do baile ou capitão do time de futebol, e não uma pessoa responsável por administrar pesquisas científicas que envolvem milhões de dinheiro público.

E tudo isso cravejado de frases científicas soltas, que às vezes nem fazem sentido, só para emular um certo academicismo.

Não sei, fiquei com a impressão de que a autora queria fazer um típico romance onde a mocinha se apaixona pelo professor, mas ficou com medo do age-gap ser muito grande e, por isso, decidiu jogar as coisas para a pós-graduação.

O que funciona: realismo e feminismo (mesmo que em migalhas)

As coisas mais realistas que eu vi foram: professores babacas assediando alunos e roubando os créditos das pesquisas dos outros; alunos de pós-graduação chorando no laboratório; homem branco medíocre com muita autoestima.

E isso sem falar nas pitadas de feminismo que surgem aqui e ali. Veja, eu não achei ruim, achei até bem equilibrado. Mas, em alguns momentos, parecem ser apenas frases soltas. Porém, aprecio o esforço, afinal, a ciência ainda é um ambiente bem machista.

Considerações finais

Enfim, essas foram só minhas impressões enquanto apreciador do gênero comédia romântica, mas acima de tudo, amante do cinema.

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