Arco (2025) é um filme belíssimo que concorre ao Oscar de Melhor Animação. Mas ele também tem uma ideia genial pra gente colonizar Vênus.
“Sim, mais um textículo escrito baseado em filmes do Oscar. Porque sim.”
Quem me acompanha no Instagram já sabe: eu assisti os 50 filmes que concorrem nas 24 categorias do Oscar desse ano. E também já sabe que eu adorei Arco, a animação francesa que concorre a Melhor Animação.
É um filme LINDO, emocionante e muito bem feito. Sem brincadeira: nos primeiros frames, ele me lembrou porque eu me apaixonei pelo cinema.
Tem ficção científica, viagem no tempo, futuro distópico – temas que me são muito caros. E, claro, aquela pitadinha clássica de crítica social foda, que não pode faltar.
Mas o que meus seguidores do Instagram podem não saber é que o filme tem uma ideia que pode ser adaptada pra gente colonizar outro planeta do nosso sistema solar.
Estou falando do irmão gêmeo do mal da Terra: Vênus. Calma, eu sei que é doideira! Mas vou explicar e vocês vão ver que talvez não seja tão doideira assim.
Arco (2025)
No ano 2932, Arco Dorell é um menino de dez anos vivendo num futuro idílico onde os humanos vivem nas nuvens e viajam no tempo usando macacões arco-íris.
Ele viaja para 2075 e encontra Iris, uma criança com problemas familiares e muitos sonhos. Os dois se metem em confusões tentando fazer Arco voltar pra sua família e seu tempo.
É emocionante. E aborda a fragilidade do nosso ecossistema e a importância da preservação ambiental. Mas não é esse o enfoque que eu quero dar.
Vivendo nas nuvens
Logo no começo do filme, vemos como a civilização humana se adaptou às mudanças extremas no futuro (não tão) longínquo de 2932.
O nível do mar subiu TANTO que as pessoas tiveram que abandonar a superfície da Terra e criar suas casas em cima de estruturas metálicas gigantes que sustentam as moradias na altura das nuvens.
Ok, ideia de ficção científica, né? Morar nas nuvens? E se eu te disser que a NASA já estuda essa possibilidade? E mais: não é na Terra não. É em Vênus.
O irmão gêmeo do mal
Vênus é considerado o irmão gêmeo do mal da Terra.
Se por um lado nosso planeta pode ser um milagre pra vida, por suas condições ideais, Vênus é justamente o contrário. Tudo que podia dar “errado”, deu.
- Temperatura na superfície: média de 462°C (mais quente que Mercúrio, derrete chumbo).
- Pressão atmosférica: 92 vezes maior que a da Terra (esmaga qualquer estrutura não pressurizada).
- Atmosfera: 96,5% CO2, 3,5% nitrogênio, e nuvens de ácido sulfúrico (literalmente chove ácido).
- Campo magnético: quase não tem, ou seja, a radiação solar chega 100% na superfície
- Caléndário maluco: os dias duram 243 dias terrestres, já os anos, 222 dias terrestres (isso mesmo, os dias são mais longos que os anos).
- Rotação: retrógrada, isto é, Vênus gira “ao contrário” – o Sol nasce no Oeste e se põe no Leste.
Ou seja: um inferno completo.
Projeto HAVOC
Contudo, todas essas dificuldades não impediram cientistas de olhar para a Estrela d’Alva no céu e imaginar nosso futuro lá.
Isso porque o cientista da NASA e autor de ficção científica Geoffrey Landis ajudou a desenvolver um projeto chamado HAVOC (High Altitude Venus Operational Concept).
É um plano teórico pra uma futura (e hipotética) colonização humana em Vênus usando dirigíveis tripulados que flutuariam nas nuvens, ao invés de pousar na superfície.
As cidades seriam construídas em grandes balões ou dirigíveis flutuando a cerca de 50 km de altitude.
Nessa altura, as condições são muito mais parecidas com a da Terra:
- Temperatura: 20°C a 30°C
- Gravidade: 1,2x a da Terra
Ou seja: não fossem os gases tóxicos, seria bem possível viver lá. Claro que as cidades seriam autossuficientes, seladas, isoladas termicamente e pressurizadas. Óbvio.
E como funcionaria isso tudo? Bem, já existe até um um modelo esquemático das etapas:
- Fase Robótica: Enviar dirigíveis robóticos pra testar o ambiente.
- Missão Tripulada: Nave chega à órbita, astronautas descem num veículo que infla um balão durante a queda.
- Energia: Topo do dirigível coberto de painéis solares.
- A Volta: Foguete acoplado embaixo do dirigível dispara pra levar os astronautas de volta à órbita.
Embora seja um projeto fascinante do ponto de vista especulativo e cientifico, ele é atualmente um estudo de viabilidade, servindo para inspirar novas tecnologias de exploração espacial e treinar os recrutas.
Mas o que tudo isso tem a ver com qualquer coisa? Tudo! Porque o filme mostra exatamente isso: gente vivendo nas nuvens. A diferença é que em Arco é na Terra (pós-apocalíptica), e no projeto HAVOC é em Vênus (pré-colonização).
A ideia de base, entretanto, é a mesma: construir cidades flutuantes na atmosfera.
Viver nas nuvens?
No momento, tudo que a gente tem é nosso planetinha azul rochoso.
Então mais importante que colonizar Vênus é cuidar da Terra pra que a gente não precise de cidades nas nuvens aqui também.
Mas não deixa de ser doidera pensar que um filme de animação francesa me fez passar horas pesquisando projetos da NASA.
E aí, o que achou dessa viagem argumentativa? Fez sentido ou nada a ver? Gostaria de morar nas nuvens de Vênus? Ou viajar no tempo igual o Arco? Me diz aí!
Valdirzera é definitivamente um dos autores do InduTalks. Fez filosofia, mas se formou em Publicidade e Propaganda. Adora quadrinhos, livros, série, filmes e todo tipo de nerdice. É apaixonado por produção audiovisual e sonha em um dia dirigir um longa metragem.

