Recentemente eu assisti Apocalypse Now, do diretor Francis Ford Coppola, e só tenho uma coisa a dizer: que filme doido!
Eu vi o corte final, ou seja, foi de fato uma imersão. O filme se passa durante a Guerra do Vietnã, mas percorrendo as 3 horas de duração posso dizer que Coppola não errou quando disse:
“Meu filme não é sobre o Vietnã. Ele é o Vietnã.”
Apocalypse Now: que filme doido!
Na trama, acompanhamos o capitão Willard (Martin Sheen), que recebe a missão de localizar e matar um antigo e promissor comandante das Forças Especiais, que aparentemente enlouqueceu e se refugiou nas selvas do Camboja, onde comanda um exército de fanáticos.
Mas, conforme acompanhamos a viagem do capitão Willard e sua tripulação rio acima, vamos percebendo a insanidade da mente humana que a guerra engatilha.
Eu gostei demais desse filme por vários motivos. A atuação de Martin Sheen é bem consistente e vamos percebendo como ele sai de um soldado quebrado – aquele velho clichê do soldado que foi pra guerra, viu coisas demais e agora não consegue se adequar novamente a civilização – para algo muito diferente, quase religioso.
Isso sem falar na atuação de Marlon Brando, que dispensa apresentações. O ator aparece apena no terceiro ato e rouba toda a cena. Mas sua presença imponente como grande ameaça é sentida durante todo o filme.
O roteiro
O roteiro é uma doideira sem precedentes na história dos filmes de guerra. Além disso, as ambientações são um caso a parte. Como se cada cena fosse cuidadosamente pensada para refletir uma emoção específica, nos colocando diretamente no coração da guerra: um lugar sujo, caótico, aterrorizante e até mesmo nonsense.
E tudo isso pra quê? Só pro caba endoidar de vez no final. Afinal, o grande plot do filme está em <SPOILER> Wilard matar o comandante Walter E. Kurtz (Marlon Brando), não sem antes ter sua mente completamente retorcida pelo mesmo, e no fim assumir seu lugar.
Eu acho ainda que o grande resumo da epopeia que é esse longa está na cena da platation francesa, onde a equipe do barco se encontra com uma família aristocrática da França. Uma cena incrível por sinal, que mostra como aquela situação toda é só para salvar um modo vida anacrônico de um grupo que se recusa a abrir mão de sua dominação.
Enfim, nessa cena o patriarca da família francesa relata ao capitão Willard como a França perdeu sucessivas guerras e foi humilhada por suas ex-colônias em várias partes do mundo. Mas, ali, no Vietnã, seria diferente. Afinal, a França lutava por sua honra. Mas, os Estados Unidos lutavam pelo “maior nada da história”. Resume perfeitamente a Guerra do Vietnã.
Glamourização da Guerra
Meu único porém com essa obra de arte é que, sim é uma crítica à guerra, porém em vários momentos parece uma espetacularização exacerbada do poderio militar estadunidense. Por exemplo, a cena dos helicópteros tocando A Cavalgada das Valquírias, de Wagner, é muito bem filmada e bonita até mesmo. Tanto que é um dos símbolos mais emblemáticos, não só desse filme, mas do cinema como um todo.
Então, não é difícil ver como tanta gente pode assistir a essa obra e interpretá-la como uma ode às campanhas dos EUA no Vietnã, ou como uma glamourização da guerra. Mesmo que a intenção do autor seja o oposto.
Talvez, Truffaut tenha razão quando diz que :
“Não existe filme anti-guerra.”
Mas, no geral, eu achei uma obra de arte sensacional, que consegue transitar por vários gêneros. O que só reforça o talento sem igual de Coppola. Por isso tudo, eu dou cinco estrelas.
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Valdirzera é definitivamente um dos autores do InduTalks. Fez filosofia, mas se formou em Publicidade e Propaganda. Adora quadrinhos, livros, série, filmes e todo tipo de nerdice. É apaixonado por produção audiovisual e sonha em um dia dirigir um longa metragem.
