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O Oscar e a Fuga de Talentos do Brasil

O Oscar e a Fuga de Talentos do Brasil

Eu tava assistindo o Oscar na HBO Max (sim, streaming, porque TV aberta já era) e uma conversa entre a atriz Fabíula Nascimento e o ator Vladimir Brichta me fez pensar muito sobre a fuga de talentos do Brasil.

A gente tá todo empolgado com as nomeações de O Agente Secreto – e com razão. Wagner Moura concorrendo a Melhor Ator, filme brasileiro na categoria principal, é HISTÓRICO.

Mas enquanto assistia à transmissão, uma pulguinha atrás da orelha começou a coçar: o Oscar é um bom exemplo de fuga de talentos do Brasil.

Fabíula e Vladimir estavam ali, no estúdio da HBO, comentando os talentos brasileiros na premiação para além do Kleber Mendonça Filho e do Wagner Moura – que são basicamente as caras do filme brasileiro principal no Oscar. E eles tinham razão. O Brasil tem outros talentos representados na premiação.

O carioca Gabriel Domingues recebeu uma nomeação pela montagem de elenco do filme. O brasileiro Adolpho Veloso é um dos nomes na categoria Melhor Fotografia. E o montador Affonso Gonçalves trabalhou ao lado da diretora Chloé Zhao em Hamnet. Ele não foi indicado, mas o filme concorre em múltiplas categorias.

Ou seja: para além do filme brasileiro propriamente dito, o Brasil está em peso no Oscar desse ano.

Aí vem o pulo do gato

Isso me fez pensar: por que esses talentos estão LÁ e não AQUI?

Não é “culpa” deles, óbvio. Eles têm todo direito de buscar melhores condições de vida e trabalho. Mas isso impacta diretamente o desenvolvimento da nossa indústria. E não é só na cultura, é em TODAS as áreas.

O jogo é desigual. E não por acaso: é estrutural. O jogo foi feito pra ser desigual mesmo.

POR QUE É DESIGUAL?

Hollywood tem muito mais dinheiro do que toda a indústria cinematográfica brasileira junta. E não é porque eles fazem filmes melhores que os nossos. Na verdade, a qualidade é consequência da quantidade.

Se eles fazem MUITO mais filmes, obviamente alguns vão ser bons, a maioria mediana, muitos ruins. Estatística básica. Mas de onde vem esse dinheiro?

Aí a gente precisa falar do elefante na sala: os Estados Unidos são a maior quadrilha do mundo. Eles invadem países, saqueiam povos, extraem recursos. Isso dá acesso a uma quantidade absurda de dinheiro pra desenvolver suas indústrias.

E não param por aí. Eles ainda sabotam e colocam inúmeros entraves pro desenvolvimento da concorrência. Se algum país “subdesenvolvido” ousa correr atrás do prejuízo, vêm as imposições: taxas, embargos, sanções, soft power, propaganda. E se nada disso funcionar? É só apoiar um golpe de Estado ou invadir de novo.

A FUGA DE TALENTOS

É por isso que a gente vê cada vez mais talentos deixando o Brasil.

“Fuga de cérebros” é a emigração de profissionais altamente qualificados – cientistas, engenheiros, médicos, artistas – de países em desenvolvimento pra nações desenvolvidas. Em busca de:

Acontece em todas as áreas:

COMO ENFRENTAR ISSO?

Existem várias teorias. Os trabalhistas vão dizer uma coisa. Os liberais honestos (aqueles que não passam o dia lambendo as botas dos EUA e gritando “estado mínimo” nas redes) vão dizer outra. Até entre os comunistas brasileiros o debate é enorme.

Alguns dizem que o Brasil ainda precisava de uma revolução burguesa, pois não saímos do estágio de dependência. Mas aí eu concordo com a outra corrente:

Nossa burguesia não vai fazer nada por nós. Se fosse pra eles fazerem, já teriam feito. Eles lucram MUITO com a exploração do nosso povo. Vivem das migalhas do nosso espólio. E isso, pra eles, tá ótimo. Porque mesmo sendo migalhas, ainda é muito dinheiro.

TEVE GENTE QUE TENTOU

Claro que houve movimentos pra evitar isso. Governos mais “à esquerda” tentaram coisas.

O governo Dilma criou o Ciência Sem Fronteiras. A ideia era simples: pagar os estudos de estudantes brasileiros no exterior, e em troca exigir que eles voltassem e aplicassem aqui o que aprenderam.

Uma ótima iniciativa. Que foi duramente boicotada – até ser completamente desmontada depois do golpe que a presidenta sofreu.

E AGORA?

Enfim, estamos muito ferrados. Mas como diria Paulo Freire: há que esperançar. Afinal, o pessimismo é reacionário.

Quem sabe um dia a gente aprenda a valorizar TANTO o nosso cinema, a nossa arte, a nossa ciência, que a gente consiga, de fato, criar uma indústria cultural puramente brasileira. Com condições pra que nossos talentos não precisem ir embora.

E aí, o que você acha?

Já tinha parado pra pensar nisso? Concorda? Discorda? Acha que tem jeito?

Comenta aqui embaixo e se quiser ler os outros textos que escrevi sobre o Oscar, é só fuçar no perfil.

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