O medo como instrumento de paz? Um paralelo entre os planos de Nagato e Ozymandias.

Já parou pra pensar que os planos do Nagato, de Naruto, e do Ozymandias, de Watchmen, são bem parecidos?

Já parou pra pensar que os planos do Nagato, de Naruto, e do Ozymandias, de Watchmen, são bem parecidos? Não, né? Porque você só pensa em você mesmo, seu grande egoísta.

Veja bem: tanto Nagato quanto Ozymandias estavam cansados de guerras e queriam trazer paz ao mundo. Mas a forma que encontraram pra isso foi, digamos, um tanto questionável. Ambos acreditavam que uma tragédia de proporções épicas seria o suficiente para unir povos de diferentes nações em torno de um ideal comum: a paz, ou o medo, chame como quiser.

A lógica deles era simples (e perturbadora): se a humanidade tivesse um inimigo em comum, deixaria de lado as diferenças e cessaria suas brigas políticas e ideológicas. Diante de um perigo tão poderoso, a cooperação seria a única saída para a sobrevivência.

E foi assim que os dois resolveram agir: destruindo grandes centros urbanos superpopulosos para alcançar seus objetivos. Maquiavel estaria orgulhoso! Afinal, o filosofo italiano em seu Opus Magnum, “O Principe”, defende a separação total entre política e moralidade, postulando que para se atingir determinados objetivos o líder deve lançar mão de qualquer estratégia necessária, abstraindo das amarras morais de seu tempo. Ou, como ficou popularmente conhecido, os fins justificam os meios.

No caso de Nagato, o ninja da Vila Oculta da Chuva, ele usou então o Shinra Tensei em larga escala para destruir toda a Aldeia da Folha. Já o autoproclamado “homem mais inteligente do mundo” e membro dos Crimebusters, Ozymandias, teletransporta uma lula gigante telepática, biologicamente projetada, para Nova York. O ataque mata milhões e convence o mundo de que estão sob ameaça de uma invasão extraterrestre.

Os resultados, porém, são diferentes. Em Naruto, o protagonista convence o vilão de que aquilo era errado e cruel. Arrependido, Nagato reverte toda a destruição, ressuscita as vítimas e morre. Já Ozymandias consegue concretizar seu plano, mas o desfecho fica em aberto. O mais próximo que temos de uma conclusão é quando Dr. Manhattan diz: “nada nunca termina”, deixando Veidt em dúvida sobre quanto tempo aquela paz durará.

No fim das contas, são táticas diferentes com estratégias semelhantes. E, por mais absurdo que pareça, essa ideia de usar o medo como ferramenta de união não é nada inverossímil. Claro, lulas alienígenas e jutsus são pura ficção, mas usar o medo coletivo para promover cooperação é algo bem real e recorrente na história humana.

Exemplos históricos não faltam. As cidades-estado gregas, como Atenas e Esparta, rivais frequentes, se uniram contra o poderoso Império Persa que tentou invadir a Grécia. No México, os tlaxcaltecas se aliaram aos espanhóis de Hernán Cortés para derrotar o domínio do Império Asteca. No século XVI, o Reino da França e o Império Otomano, rivais políticos e religiosos, formaram uma aliança contra o Sacro Império Romano-Germânico. E, na Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética, ideologicamente opostos, lutaram lado a lado contra as potências do Eixo (Alemanha Nazista, Itália Fascista e Japão).

Fica claro que nossos autores favoritos se inspiram na vida real para criar suas histórias. No fim, resta a pergunta: é a vida imitando a arte ou a arte imitando a vida?