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A música de Zé Ramalho que concorda com Bell Hooks

Zé Ramalho e Bell Hooks

Já parou para pensar que a música de Chitãozinho e Xororó com Zé Ramalho concorda com a filósofa estadunidense Bell Hooks? É isso mesmo, afinal: sinônimo de amor é amar.

Em 2003 o trio César Augusto, Paulo Sérgio Valle e Cláudio Noam compuseram uma canção que entraria para a história da música popular brasileira. Inicialmente a ideia era vender para o canto Zé Ramalho, contudo isso não deu certo num primeiro momento.

Eles então tentaram vender para algumas duplas sertanejas, mas o destino quis que a dupla Chitãozinho e Xororó gostasse da letra e decidiram gravar. No fim das contas, eles acabaram chamando Zé Ramalho e o resto é história.

Sinônimos

Sinônimos foi gravada em 2004 e lançada no álbum Aqui o Sistema é Bruto (2004), que vendeu mais de 1,8 milhão de cópias. Além disso, a faixa foi trilha de diversas novelas e embalou cenas de amor Brasil a fora.

Afinal, qual canção tem letras tão marcantes quanto essa? Qual música já começa com uma pedrada dessas?

“Quanto tempo o coração leva pra saber que o sinônimo de amar é sofrer?”

Mas o ponto alto, sem dúvida, é o fechamento do refrão, que encerra uma série de reflexões sobre o amor, com uma frase-chave:

“Sinônimo de amor é amar”

E essa frase é pesada, potente, mas também muito reflexiva. Isso porque atualmente todos nós estamos em busca de amor. Especialmente o romântico. Até porque vivemos numa sociedade calcada nesse tipo de relacionamento.

Vivemos buscando um par ideal, alguém que vai nos completar, que será a pessoa que acompanhará pelo resto de nossas vidas. Bom, pelo menos em teoria. Em suma, passamos a vida buscando a pessoa certa para nós.

Mas será que estamos buscando ser a pessoa certa para a nossa pessoa certa?

É isso que propõe esse verso. Amar para além de belas palavras, mas sim com atitudes. Atitudes constantes, dia a dia.

Bell Hooks

E isso vai ao encontro do que a autora e filósofa estadunidense Bell Hooks escreve em seu livro Tudo Sobre o Amor: novas perspectivas. De acordo com o Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina:

“No decorrer de treze capítulos, em que cada um deles nos mostra uma forma de manifestação do amor, a autora traz uma reflexão importante a todos nós.”

Nesse livro, a autora defende que não é apenas entender o significado, ou então ressignificar a palavra amor. Trata-se antes entender que o amor é ação, e o amor é político. Nesse sentido, Hooks utiliza a definição do psiquiatra “M. Scott Peck”

“O amor é o que o amor faz. Amar é um ato de vontade — isto é, tanto uma intenção como uma ação. A vontade também implica escolha. Amar é um ato da vontade”. (citado por hooks, p. 47).

E aí já tinho parado para pensar nisso?

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